Da arte que atravessa fronteiras às novas estéticas que definem consumo, passando por gastronomia, bem-estar e moda, reunimos os movimentos que estão redesenhando o cenário cultural global. Uma seleção que percorre Doha, Nova York, Hong Kong, Roma e Paris, e antecipa o que 2026 reserva.

PINTA LÁ NO QATAR

A Art Basel, que já marca presença em Miami Beach, Hong Kong e Paris, além de Basel, claro, cruza agora para o Oriente Médio. De 5 a 7 de fevereiro de 2026, Doha recebe sua primeira edição, no distrito criativo M7. Com direção artística do egípcio Wael Shawky, o evento inaugura um formato inédito, com curadorias abertas e galerias que dialogam entre si.

Art Basel/Julius Hirtzberger

O tema, “Becoming”, aborda identidade e transformação. Entre os nomes confirmados, pesos pesados como Gagosian, Hauser & Wirth, David Zwirner e White Cube dividem espaço com galerias do Golfo e do Levante. E há quem espere que o calendário da arte árabe ganhe um alinhamento histórico com o aguardado Guggenheim Abu Dhabi, previsto para 2026, talvez abrindo suas portas no mesmo sopro cultural.

NY VOL. 26

O Canyon, novo centro de arte do Lower East Side, será aberto no verão de 2026 com curadoria de Joe Thompson (ex-MoCA). Dedicado a vídeo, som e performance, o espaço de 4 mil metros quadrados une galeria, auditório e restaurante sob uma claraboia monumental que inunda o prédio de luz natural. A ideia é desacelerar, ao criar um santuário para obras que pedem tempo: instalações que se movem, respiram e exigem imersão. Mais que um endereço de arte, o Canyon nasce como novo ponto de encontro criativo de Nova York, que em julho de 2026 vai pulsar entre telas e torcidas: a cidade será palco da final da Copa do Mundo de futebol. Cultura, futebol e verão… Nova York promete estar uma festa!

Fachada do Canyon Divulgação

É DOSE

O mundo dos bares parece ter se cansado dos drinques enigmáticos e esfumaçados. Depois de uma década de alquimias líquidas, a old school volta com força — e em dose dupla: simplicidade e alma. Prova disso é o Leone, um tributo à cultura italiana de bares de bairro, no coração de Hong Kong.

Bar Leone Divulgação
Bar Leone Divulgação

Eleito de novo, e pela segunda vez em três anos de vida, o melhor bar do mundo, mantém intacta sua filosofia do cocktail popolari: coquetéis clássicos impecáveis, servidos com hospitalidade e zero artifício. No lugar de shows de laboratório, foco em essência e consistência: Martini cristalino, Bellini em miniatura, focaccia com mortadela. O público é cosmopolita, habitués de bares-ícones e viajantes que reconhecem autenticidade à primeira golada. O Leone é o refúgio de quem prefere o sabor à encenação e confirma o óbvio: Hong Kong continua sendo uma das cidades mais sedutoras do planeta.

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WHEN IN ROME

O estilo made in Rome segue na contramão da gentrificação da moda e vulgarização do luxo. Pequenas portas, grandes ideias, grifes comandadas por nobres plebeias e aristocratas de outrora fazem um barulhinho bom na cena sem chamar a atenção de quem só tem olhos para grifes que criam a toque de caixa. Fique de olho: nas bolsas de Sophie de Habsburg (sobrinha-neta do último imperador da Áustria); nas estampas pintadas à mão de Zazie Gnecchi Ruscone, que passeiam do vestuário à decoração; e nas joias sob medida da designer Francesca Amfitheatrof, que desenvolveu para a Issimo, de Maria Luisa Sciò (aka do Il Pellicano), um pendente inspirado na Bocca della Verità, a célebre máscara de mármore em Roma que, diz a lenda, morde a mão dos mentirosos.

Sophie de Habsburg Gianmarco Chieregato
Estampas pintadas à mão de Zazie Gnecchi Ruscone. Zazie Gnecchi Ruscone/Fotos Divulgação

A NOVA NOUVELLE CUISINE

Alain Passard transforma o lendário Arpège, de Paris, três estrelas Michelin, num templo inteiramente vegetal. Sai de cena qualquer vestígio de carne, peixe ou laticínios — ficam apenas o mel das próprias colmeias e os vegetais colhidos em suas hortas na Normandia. A transição começou silenciosamente no segundo semestre de 2025, mas em 2026 o gesto se tornará definitivo: 25 anos depois de conquistar as três estrelas, o chef redefine a nouvelle cuisine.

Restaurante Fotos Divulgação

THE K FACTOR

O fascínio do Ocidente pela Coreia do Sul está longe de arrefecer. Do K-pop ao K-drama, do skincare translúcido à estética de rua, os coreanos seguem a ditar ritmo e desejo reinventando o soft power asiático com disciplina científica e carisma hi-tech. Depois do boom (e saturação) do K-beauty, o movimento renasce sob outro nome: K-wellness. O foco deixa de ser apenas a pele impecável e passa a ser o corpo como ecossistema: probióticos, exossomos, suplementos, spas médicos, microbioma. O autocuidado vira espetáculo cultural e o Ocidente, exausto, observa e copia.

Flagship da Skin Cupid em Londres. Jess Brittain Photography
Jess Brittain Photography

Em 2026, Londres será a vitrine global desse novo bem-estar coreano: a PureSeoul prevê inaugurar 30 lojas até o fim do ano, a Skin Cupid abreno Soho e marcas como Laneige e Anua entram em redes premium britânicas como a Boots. Na moda, por sua vez, o nome a seguir é Hyein Seo. Formada em Antuérpia, a designer mistura brutalismo, erotismo e utilidade — já colaborou com a Nike e exibe um equilíbrio raro entre subcultura e sofisticação. É o tipo de estética que o Ocidente consome com devoção: distópica, cool e ligeiramente incompreensível. O mesmo magnetismo move o cinema. Depois de Parasita, o mundo não desviou o olhar e, em 2026, o clássico Oldboy, de Park Chan-wook, ganha nova vida em formato de série.

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O LIVRO DO ANO

Sob o pseudônimo Evelyn Clarke, as autoras V. E. Schwab (A Vida Invisível de Addie LaRue) e Cat Clarke (Girlhood) uniram forças num thriller literário que o The Times já chamou de “o maior lançamento de 2026”. Em The Ending Writes Itself, uma escritora aceita terminar o manuscrito inacabado de uma autora desaparecida até perceber que o texto parece antecipar o próprio destino. Misterioso, elegante e perverso, o livro promete ser a obsessão literária do ano: uma história sobre o poder de criar, o perigo de acreditar e o medo de que, afinal, o final já esteja escrito.

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