A verdade — dessa cidade que vive dividida entre o frenesi e a calmaria ainda se mantém secreta, oculta a sete-chaves para quem olha de fora.

Sua essência só se revela ao vivo, pouco a pouco, àqueles que se aventuram a vivê-la. É um local lapidado pela pluralidade dos sentidos — que são arrebatados em cada esquina — e pela hospitalidade simples de sua gente, sempre com um sonoro marhaba (bem-vindo) nos lábios.

O charme dos cafés, o mistério das vielas e dos mercados e a influência da colonização francesa — ainda tão presente — transformaram esse canto num destino único no mundo, que transita entre a sofisticação de grandes hotéis, gastronomia e marcas de luxo e a vida cotidiana comum que se pode esperar de uma cidade do interior. Berço cultural e histórico de civilizações antigas que forjaram o norte da África e parte da Europa, Marrakech, há quase mil anos, só se deixa conhecer assim: olhando nos olhos de cada visitante.

As alamedas de uma souks – parada obrigatória no Marrocos Andrei Polessi

Esse roteiro sugerido aqui é intencionalmente cheio de lacunas. Elas esperam que você as preencha. Afinal, viajar é um caminho de descoberta em si, experimentando vivências ímpares — só suas. Toda viagem fica maior com esse “espaço extra” para o inesperado, para as surpresas, que são o que torna as jornadas inesquecíveis, memoráveis e únicas. Assim, use esse roteiro só como fio condutor para começar sua exploração pela cidade. Meu conselho é: perca-se para então se descobrir, numa outra Marrakech, só sua. Seja por 72 horas, seja pelo tempo que você quiser.

Dia 1

A melhor forma de começar é pelo coração de Marrakech, ou seja, pela medina, parte antiga murada da cidade, onde ficam os souks (mercados) e onde a vida pulsa em ruas labirínticas. O acesso a carros é interditado, então prepare-se para caminhar (e cuidado com as motos que transitam livremente). Comece visitando o museu Dar El Bacha, um palácio majestoso que é exemplo da arquitetura tradicional marroquina, com seus jardins e fontes.

Le Jardin Secret Richard Bloom


Pelo museu você tem acesso ao Bacha Coffee, fundado em 1910, que é, sem dúvida, o café mais charmoso de toda a cidade e uma experiência do melhor savoir vivre marocain. (Fique atento, fechado às segundas!). Agora mergulhe para desbravar pelas próximas horas os souks e suas infinitas ruelas. Lojas de arte, decoração, artesanato, artigos de couro, tapetes e tecidos, chás, temperos. Tudo é oferecido simultaneamente, loja após loja, apesar de haver certa divisão por áreas: uma mais especializada em roupas, outra em potes e louças etc.

É comum encontrar os artesãos com a mão na massa. Para comer, existem inúmeras opções nos souks. Mas para quem, além da fome, quer matar o calor com uma taça de vinho branco ou uma cerveja local gelada, saiba que nem todos os restaurantes servem bebida alcoólica.

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O Café Arab é uma boa opção, com pratos marroquinos e italianos e um rooftop com vista para a medina. Mas vale mesmo fazer uma reserva para um late lunch no terraço do Dardar Rooftop (para quando o calor estiver mais ameno). O lugar é descolado e perfeito para ver o pôr do sol chegar enquanto se prova um drinque ou algumas tapas (imperdíveis, o carpácio de truta com caviar de limão e o tartare de atum).

Dali, numa breve caminhada de 5 minutos se alcança a famosa praça Jemma el-Fna, famigerado centro de encontro de encantadores de serpente, acrobatas, faquires e tipos afins. O lugar é muito turístico, mas merece uma visita rápida para ser visto, até como experiência antropológica, principalmente as barracas de alimentação que começam a ser montadas no final do dia e transformam o lugar num gigantesco restaurante a céu aberto.

Dia 2

Siga explorando a medina. Comece o dia na Maison de la Photographie de Marrakech, uma casa pequena, com acervo dedicado à diversidade da cultura marroquina, mas que vale ser conhecida pelos amantes da fotografia. A minutos dali há duas minúsculas lojas, com muita personalidade para os amantes de moda: a Rebeel Store, de roupas vintage garimpadas pelo mundo, de chapéus, jaquetas jeans, camisas e botas, tudo ao som de vinil; e a Funky Cool Medina, criação e curadoria de Fahd al Marsaoui, que traz peças únicas feitas à mão, de estilo vintage, elaboradas dentro da proposta de upcycle, com design autêntico marroquino e edições limitadas.

Le Jardin Secret Richard Bloom

Depois, faça uma pausa visitando o Le Jardin Secret. Como o próprio nome diz, um lugar secreto entre plantas e fontes, datado do século 16. Um verdadeiro oásis escondido no meio do caos da medina, perfeito para recuperar o fôlego após vivenciar a agitação das ruas.

Siga explorando os souks e vá em direção à mesquita Koutoubia, o monumento mais representativo de Marrakech, o minarete que repetidamente se avista de vários pontos da cidade. A entrada é vetada para não-muçulmanos, mas a visitação dos jardins em seu entorno já vale a pena.

O crème de la crème fica para a noite: jantar no restaurante Le Marocain, no hotelLa Mamounia. Esse palácio transformado em hotel está instalado numa área de jardim de impressionantes 17 hectares, entre pomares, oliveiras, palmeiras centenárias e fontes.

Comece pelo bar Le Churchill, que serve drinques autorais inspirados no primeiro-ministro, além de um menu de caviar. Depois, com uma pequena caminhada pelo jardim, acesse o restaurante. O Le Marocain é um dos cinco restaurantes do hotel e vai lhe oferecer uma experiência marroquina autêntica, completa e impecável. É necessário reservar com antecedência.

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Dia 3

No último dia, explore um pouco outras áreas da cidade, fora da medina. Comece pelo Jardin Majorelle, um jardim botânico de 9 mil m² com mais de 3 mil espécies de plantas. O lugar foi comprado pelo estilista Yves Saint Laurent e seu marido, o pintor Pierre Bergé, em 1980, ao descobrirem que seria destruído para construção de um complexo hoteleiro. Anexo ao jardim está o Musée Yves Saint Laurent Marrakech, que abriga parte do acervo da obra desses dois artistas. Conheça ainda o MACAAL Museum of African Contemporary Art Al Maaden.

Esse impressionante museu inaugurado em 2016 é um dos mais importantes para a arte contemporânea do continente. Sua coleção de mais de 2 mil obras inclui pintura, escultura, fotografia, instalações e artes digitais. Traz sempre artistas de vanguarda e tem revelado novos talentos no cenário artístico africano por meio de suas residências artísticas. Feche sua experiência com um almoço no Le Jardin, restaurante com espaço ao ar livre do fantástico hotel Royal Mansur, com sua cozinha mediterrânea e influência árabe-andaluza. Se quiser, adquira um day pass e aproveite o resto do dia na piscina do hotel. Reservas necessárias para o restaurante.

MACAAL Ayoub El Bardii

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