Minas Gerais era a região mais rica de todo o império português quando, em dezembro de 1720, recebeu sua independência administrativa. Há 300 anos saíam daqui os grandes lucros da Coroa. Hoje, Minas é a terceira economia do país.

E vive um paradoxo. O estado é muito desejado pelos viajantes, tanto que, em 2022, foi o segundo do Brasil mais procurado por turistas. Todos eles vêm para cá em busca de natureza intacta, ar puro, montanhas que transbordam serenidade, cheiro de fogão a lenha e águas cristalinas. Porém, Minas também é “adorada” por outro tipo de explorador. Menos romântico e menos bucólico, ele escava, devasta, derruba, perfura, garimpa e minera os quatro cantos do estado atrás de riquezas como ouro, pedras preciosas, minérios de ferro, café, leite, ovos, vacas e a lista segue.

O fato é que é difícil resistir. Minas é um case de sucesso. Com forte identidade, ou melhor, com forte mineiridade, o sotaque mineiro acaba de ser escolhido por 700 brasileiros inscritos em um site de aulas online como o “mais cativante e charmoso do Brasil”. Para engrossar o coro, Minas deu à luz personagens históricos, entre eles Tiradentes, Aleijadinho e Juscelino Kubitschek. E a outros mais pop, como Pelé, Isis Valverde e Lima Duarte.

Obra de Abdias Nascimento, na Galeria Mata, Inhotim Ícaro Moreno

Lima Duarte é um ator, mas é também o nome de uma cidade que serve como porta de entrada para o Projeto Ibiti, uma joia que se esconde nas imponentes montanhas de Minas Gerais a 60 quilômetros do aeroporto de Juiz de Fora.

O outro destino precioso e único de Minas é Inhotim, lar do museu de arte contemporânea e maior museu a céu aberto do mundo, que fica a menos de 80 quilômetros de Belo Horizonte. Essas duas experiências de turismo, Projeto Ibiti e Inhotim, elevam o turismo brasileiro ao padrão exclusivo de luxo e são destaque no mundo todo por construírem um business não apenas acolhedor como moderno, sustentável e regenerativo.

PROJETO IBITI

Bianca Pontes

Circundando o Parque Estadual do Ibitipoca, o mais visitado do estado, como um cinturão verde de proteção, está o Projeto Ibiti, antes chamado de Comuna Ibitipoca, uma reserva ambiental privada que foi escolhida há pouco tempo como o melhor “hotel de luxo” do Brasil e um dos 50 do mundo. Os mineiros agradecem, mas sabem que o Projeto Ibiti, assim como seus 6 mil hectares, não pode ser enquadrado apenas como um hotel. O incrível empreendimento rural é mais: inovador na raiz, é um exemplo do capitalismo regenerativo e do turismo de baixo impacto. Atualmente, divide-se em três tipos de hospedagem. Há as remotas, entre elas o Loft Epicuros, todo reformado; o Isgoné, perfeito para casais; e o Areião.

A vila Mogol, com suas casinhas temáticas e o restaurante vegetariano Yuca, oferece uma experiência bem mineira, para turmas ou famílias. É ali que sempre ficam Gisele Bundchen e Robertinho Marinho. E, na terceira categoria, estão os casarões, para quem procura uma vivência de fazenda do século passado: o Engenho, que era a casa principal da antiga fazenda, e a Casa Carlinhos, que fica ao lado.

Renato Machado, o proprietário, vem comprando terras na região há mais de 30 anos e construindo uma comunidade autossustentável (grande parte dos alimentos consumidos são plantados ali mesmo), onde a simplicidade encontra o luxo. Entre os programas favoritos estão fazer caminhadas, jantar em uma caverna, tomar banho em cachoeiras e nas prainhas de rio e ver de perto a My Big Family, da artista norte-americana Karen Cusolito, conjunto de sete esculturas gigantes de metal reciclado que habita um dos pontos mais altos do Ibiti – a aproximadamente 1,5 mil metros de altitude, um pouco abaixo do Pico do Gavião.

Para levar a vida devagar, curtir a vista das montanhas, fazer uma aula de yoga tranquila ou um passeio de bike… O Projeto Ibiti é a harmonia perfeita entre a autenticidade rural e o luxo moderno.

INHOTIM

Obra de Luana Vitra, Galeria Marcenaria, Inhotim Ícaro Moren

Único museu brasileiro celebrado no mundo inteiro, Inhotim reúne uma coleção de arte contemporânea em meio a um jardim botânico inacreditavelmente lindo. Fica localizado em Brumadinho e começou a ser idealizado na década de 1980 pelo empresário Bernardo de Mello Paz, dono de uma fazenda de solo ferroso. Nasceu em 2002, foi aberto ao público em 2006 e desde então é o maior museu a céu aberto do mundo. Visitá-lo é uma experiência inigualável da potência da arte, da natureza e das possibilidades e belezas não só de Minas, mas do Brasil.

Vista externa da Galeria Yayoi Kusama, Inhotim Daniel Mansur

Com localização que se divide entre os ricos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado e com paisagens exuberantes ao longo dos 140 hectares, Inhotim tem quase 2 mil obras de 300 artistas vindos de cerca de 50 países que compõem um dos mais ricos acervos do Brasil. As obras são exibidas ao ar livre e também em galerias, por onde chegamos caminhando tranquilamente em meio a um jardim com mais de 4,3 mil espécies botânicas raras de todos os continentes. Dá para fazer o trajeto também com carrinhos de golfe.

Inhotim tem quase 2 mil obras de 300 artistas vindos de cerca de 50 países que compõem um dos mais ricos acervos do Brasil

Tire dois ou três dias para visitar Inhotim sem pressa, comer nos seus restaurantes, comprar na lojinha e, claro, ver as instalações site specific – criadas de acordo com ambiente e espaço determinados –, obras de grande escala e, ainda, as esculturas, as galerias com fotografias, vídeos, performances, desenhos e pinturas que datam desde a década de 1960 até os dias atuais.

Vista aérea da Galeria Cosmococa, Inhotim Brendon Campos

Entre as obras mais famosas estão a Invenção da Cor, de Hélio Oiticica, e a Galeria Cosmococa, o som da terra, onde o artista Doug Aitken fez um furo de 200 metros de profundidade no solo para nele instalar uma série de microfones e captar o som. Incrível também é o Jardim de Narciso, de Yayoi Kusama, com 500 esferas de aço inoxidável que flutuam sobre o espelho d’água e refletem o visitante, o céu e a vegetação.

Há ainda os pavilhões de Tunga, um dos idealizadores do museu, e de Adriana Varejão, além da Galeria Cildo Meireles, com duas salas: uma todinha vermelha e outra com elementos de vidro (é possível adentrar as obras), que fazem questionamentos sobre a natureza política e social.

TERESA PEREZ INDICA

Reserve com a Teresa Perez

Onde Ficar

Fasano Belo Horizonte

Instalado no bairro de Lourdes, o hotel tem projeto arquitetônico assinado pelo conceituado escritório carioca Bernardes Arquitetura. Para o bem-estar dos visitantes, dispõe de um spa na cobertura do edifício com três salas de terapia, além de fitness center. Os hóspedes ainda têm à disposição o restaurante Gero. Já para drinques premiados, o bar Baretto, que possui filial em São Paulo, é a melhor opção.

Projeto Ibiti

Localizada em uma área com mais de 5 mil hectares, onde ficava uma fazenda de engenho, a Comuna do Ibitipoca se dedica ao bem-estar do hóspede e à harmonia com a natureza. Na gastronomia, ingredientes orgânicos, produzidos localmente e até em horta própria, são privilegiados. Há diversas atividades na natureza – como stand up paddle, observação de pássaros, trilhas e visita a cachoeiras –, além de yoga, meditação, passeios para conhecer as tradições locais, piscina e área fitness.

    Voltar ao Topo