Neste recorte: balão estratosférico no Loire; iate com 47 suítes no Mediterrâneo; palácio renascido na Giudecca; retreat nas montanhas da Arcádia; hotel-galeria em Engadin com Giacometti nas paredes; villeggiatura toscana com pedigree em Forte dei Marmi; Kengo Kuma em Kyoto; hotel incomum no arquipélago de Træna.

YTRI ISLAND RETREAT

No extremo da Noruega, onde o mapa acaba

A 60 quilômetros da costa da Noruega, no arquipélago de Træna, o Ytri se localiza em Husøy, uma das vilas de pesca mais antigas do país, cercada por 477 ilhas voltadas ao Atlântico aberto. São 38 quartos e suítes com vista para o vilarejo e o mar, acesso por barco ou helicóptero e operação concentrada no verão, quando a luz do norte estende os dias. O projeto é do Var dehaugen Architects, com interiores da Bonaparte Interiør, reinterpretando casas tradicionais de pescadores com madeira, volumes enxutos e implantação junto ao cais.

Os quartos os seguem minimalismo nórdico, com vistas para montanhas e o oceano. Integrante da Relais & Châteaux, o Ytri refina a experiência no restaurante Alma, comandado pelo chef Sean Ryan, com menu-degustação de 12 etapas baseado na pesca do dia. A sauna a lenha fica na beira da água, integrada ao spa ao ar livre dedicado à recuperação após trilhas e saídas ao mar. Inauguração prevista para abril de 2026.

O salão interno aconchegante do Ytri Island Retreat. Ytri Island Retreat / Vardehaugen

ZEPHALTO

A viagem que Júlio Verne nem poderia imaginar

Uma jornada até os limites do espaço para experimentar o efeito panorama e se reconectar com a Terra. Em 1783, os irmãos Montgolfier lançaram na França o primeiro balão tripulado; em 1863, Júlio Verne transformou a ascensão aérea em aventura literária em Cinco Semanas em um Balão. Em 2026, essa história ganha capítulo real: um balão estratosférico pressurizado parte do Château de Chambord, no Loire, e alcança 25 quilômetros de altitude.

A Zephalto, fundada em 2016 pelo engenheiro aeronáutico Vincent Farret d’Astiès, propõe tornar a estratosfera acessível sem foguetes, com tecnologia de baixo impacto desenvolvida em Toulouse em parceria com o Centre National des Études Spatiales e a Agência Espacial Europeia. A cápsula Celeste leva quatro passageiros e um piloto em voo de cerca de seis horas, três a mais que as rotas comerciais, com subida de 90 minutos até o ponto em que o horizonte revela a curvatura da Terra e se experimenta o efeito panorama — fenômeno relatado por astronautas ao ver o planeta suspenso no escuro, sem fronteiras visíveis. O sistema utiliza hidrogênio e cápsula pressurizada alinhada aos padrões europeus de segurança. Estreia comercial prevista para setembro deste ano.

O Amangati elevando o luxo em alto-mar. Divulgação

AMANGATI

No ultra-luxury yacht da Aman

O mar tornou-se mais um palco das grandes marcas globais, e a Aman eleva sua arquitetura e estilo únicos em seu novo superiate, uma extensão natural do próprio universo, que já conta com o Pinisi Amandira (embarcação tradicional de dois mastros para luxury charter trips na Indonésia). Mas, a partir da primavera de 2027, o Amangati Yacht inaugura um novo capítulo da Aman at Sea. Com 47 suítes distribuídas em nove deques, mantém a escala reduzida que define a marca. O projeto é assinado pelo estúdio Sinot Yacht Architecture & Design.

As suítes têm pé-direito de até 2,5 metros, janelas do piso ao teto e terraços privativos am plos, com banheiros generosos e tecnologia integrada. Cada acomodação conta com um Suite Host dedicado. No topo, um Aman Spa voltado para o horizonte, com jardim zen aberto no deque superior, salas de tratamento, rituais de beleza, yoga e meditação. A bordo, quatro restaurantes, do japonês Akari ao Aman Grill, além de um jazz club inspirado no Aman New York, com música ao vivo e coquetelaria. Na temporada inaugural, o iate percorrerá o Mediterrâneo em itinerários que abrangem Ilhas Baleares, Riviera Francesa, Festival de Cannes, Grande Prêmio de Mônaco, Riviera Italiana, Córsega e Capri & Amalfi.

Divulgação

CAPELLA

No coração cultural de Kyoto

Neste mês de março, em Miyagawa-chō, no Centro Histórico da cidade, será inaugurado o Capella Kyoto, no terreno de uma antiga escola, a poucos metros do templo Kenninji e do Kabu renjo Theatre, onde as geiko e maiko treinam e se apresentam. O projeto é do arquiteto Kengo Kuma, com interiores do Brewin Design Office. A leitura é ultralocal — reinterpreta uma machiya (casa urbana tradicional de Kyoto) em torno do pátio central. São 89 quartos, seis suítes com onsen privativo. Madeira regional, washi, laca, bronze e cerâmica definem os materiais.

Na chegada, o hóspede atravessa uma passagem inspirada nas ruelas de Gion até o pátio com frontão curvo karahafu. A gastronomia inclui um restaurante japonês com balcão de 12 lugares, outro de madeira reaproveitada da antiga escola e uma brasserie francesa. O Auriga Spa tem três salas de onsen privativas, saunas seca e úmida e quatro salas de tratamento. A Capella Hotels and Resorts foi eleita “Best Hotel Brand” no Travel + Leisure World’s Best Awards de 2023 a 2025, com propriedades também presentes no ranking The World’s 50 Best Hotels.

O spa onsen reconfortante do Capella Kyoto. Divulgação
PUBLICIDADE

MANNA

Retreat holístico nas montanhas da Grécia

Arcádia é a região montanhosa do centro do Peloponeso as sociada, desde a Antiguidade, à paisagem rural idealizada da Grécia. A duas horas de Atenas, entre as florestas de abeto do Monte Mainalo, o Manna ocupa um edifício protegido dos anos 1920, construído originalmente como sanatório, restaurado por Stratis Batagias — que cresceu na região e decidiu recuperar o prédio — e reaberto como um hotel de 22 quartos. A arquitetura preserva a imponência sóbria da construção original, e os interiores trazem madeira, pedra, lareiras e mobiliário sob medida, com janelas amplas voltadas para a natureza. O spa holístico integra piscina em forma de caverna e sauna entre as árvores, além de yoga, pilates e terapias envoltas pela paisagem.

No restaurante, o chef Athinagoras Kostakos conduz cozinha sazonal baseada em produtos locais da Arcádia, trabalhando ervas, cogumelos, trufas, carnes e queijos de montanha em leitura contemporânea da tradição grega. Nos arredores, o Menalon Trail percorre vilarejos históricos como Dimitsana e Stemnitsa; o desfiladeiro do Rio Lousios abriga mosteiros bizantinos do século 11; e, a cerca de 1 hora e meia dali, o sítio arqueológico de Olímpia amplia o fator uau da estadia em ritmo desacelerado, guiado pela altitude, pelo bem-estar e pela paisagem.

A natureza em volta da suíte minimalista do Manna. Ana Santl

PENSIONE AMERICA

Al mare em Forte dei Marmi

Villeggiatura é a temporada longa à beira-mar, ritual que retorna a cada verão italiano. Em Forte dei Marmi, na Versilia, Toscana, o magnetismo que atraiu escritores como Gabriele D’Annunzio ganhou novo fôlego nos anos 1920, quando famílias aristocráticas — entre elas os Agnelli — adotaram a cidade como endereço al mare. Uma construção de 1899 transformada em pensione em 1922, a Pensione America reabre sob gestão da família Maestrelli, que recupera a atmosfera nostálgica-chique de balneário e reintegra o hotel à The Leading Hotels of the World. São 18 quartos voltados para jardins de glicínias, todos com terraços — da Veranda Suite à La Villetta, unidade independente com pequena piscina em mosaico siciliano.

Terracota moldada à mão, mármore local, vime, madeira clara, azulejos sicilianos sob medida e amenities da Officina Farmaceutica Santa Maria Novella definem o tom da casa. Os dias se dividem entre piscina e praia. O beach club Bagno Assunta alinha cabines e guarda-sóis listrados diante do mar Tirreno. Bicicletas percorrem as ruas planas. E o fim de tarde pede aperitivi. Na cozinha, a chef Sabrina Pucci exalta o litoral toscano com peixes frescos, massas e focaccine. Há a opção de meia-pensão e jantares privados. A Pensione America integra a EM Collection, coleção familiar de hotéis-boutique charmosos que reúne Villa Roma Imperiale, Grand Hotel Minerva, Hotel Brunelleschi e Violino d’Oro.

Pensione America e sua atmosfera de nostalgia chique. Manfredi Gioacchini

AIRELLES PALLADIO, VENEZA

A Maison francesa estreia na Itália

Neste ano, será aberto em Veneza o Airelles Palladio, primeiro endereço da coleção na Itália, na ilha da Giudecca, ocupando quatro edifícios históricos do século 16 em quase um hectare de jardins restaurados. Um desses prédios foi projetado por Andrea Palladio em 1561 e abrigou o Istituto delle Zitelle, onde jovens venezianas aprendiam renda e bordado; a Villa Frollo testemunhou passagens de Casanova, Eleonora Duse, Sartre e até Angelina Jolie. O hotel terá 45 acomodações — 17 quartos e 28 suítes —, além de uma villa privativa com três quartos, piscina e jardim e uma suíte presidencial de 450 metros quadrados.

O projeto inclui spa e centro de bem-estar de 1.700 m², três piscinas e Kids Club. Na gastronomia, um time de all-stars: Nobu Matsuhisa, Jean-Georges Vongerichten, Norbert Niederkofler e Cédric Grolet assinam os restaurantes. Com esse endereço, a Maison francesa soma seu sétimo hotel e inaugura o primeiro capítulo fora da França, encontrando em Giudecca um cenário à altura: de frente para a Laguna di Venezia, com a Piazza San Marco no horizonte.

O hotel veneziano de alma francesa, Airelles Palladio. Vincent Leroux
PUBLICIDADE

CHESA MARCHETTA, SILS MARIA

Wes Anderson ia amar este hotel

Aberto em Sils Maria, no Vale de Engadin, Suíça, o Chesa Marchetta tem 13 quartos e um restaurante. É o terceiro hotel da Artfarm, braço de hospitalidade associado à galeria Hauser & Wirth, fundada por Iwan e Manuela Wirth. O Engadin é um refúgio cultural que atraiu intelectuais como Nietzsche, Proust e Thomas Mann, devido à paisagem inspiradora e à atmosfera intelectual única. O hotel ocupa três edifícios históricos do século 16. A restauração que levou quatro anos, conduzida por Luis Laplace, preservou pedras, madeira e a escala alpina original. Os quartos combinam móveis tradicionais do Engadin e tecidos artesanais.

A gastronomia alpina ítalo-suíça é comandada pelo chef piemontês Davide Degiovanni, que usa ingredientes locais e sazonais e serve peixes de água doce, caça e massas artesanais, acompanhados de carta de vinhos com rótulos de pequenos produtores de Grisões e do norte da Itália. Obras de Alberto Giacometti, Philip Guston, Clara Porges e Louise Bourgeois integram hotel e restaurante. Trilhas ao redor dos lagos de Sils e Silvaplana, caminhadas até o Fex Valley e esqui no inverno completam a experiência vivida entre montanhas, arte e hospedagem alpina que parecem enquadrados como cenas de filme.

A decoração do Chesa Marchetta, digna de cinema. Dave Watts
    Voltar ao Topo