Lar de diversas obras de arte contemporânea em Nova York, o New Museum passou por sua tão aguardada expansão, ganhando 5.574 metros quadrados, quase o dobro de seu edifício original, projetado pelo SANAA.
Perfeitamente integrada ao prédio principal, a ampliação inaugura o próximo capítulo na história de quase cinquenta anos da instituição, após uma arrecadação de fundos de US$ 130 milhões. O novo edifício recebeu o nome da falecida filantropa Toby Devan Lewis, em memória ao seu apoio inabalável à arte e aos artistas mais experimentais e inovadores.
Esse é um momento emocionante para a arte da cidade e para o Lower Manhattan, já que o museu dobrou o espaço de galeria para exposições, além de ganhar três elevadores, uma escadaria no átrio e uma praça de entrada.
“Estou particularmente entusiasmado com o fato de nosso primeiro edifício público na cidade de Nova York ser para o New Museum, uma das instituições mais inovadoras pela qual sempre tive grande afinidade. Tendo colaborado com Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa em diversos projetos na Europa, é uma verdadeira honra estar ao lado de suas magníficas obras arquitetônicas, uma das minhas favoritas na cidade”, disse Rem Koolhaas, sócio da OMA.
Com materiais que remetem e complementam o edifício original, a fachada traz transparência, comunicando as atividades do New Museum para o exterior, como uma espécie de convite para entrar, atraindo o público que passa pela rua.
“Mantendo a integridade arquitetônica do edifício original de SANAA, nosso projeto busca criar um novo todo, em vez de duas metades, adicionando espaço e abertura com sua própria identidade distinta”, disse Shohei Shigematsu, sócio da OMA.
Como parte da reabertura, o museu também ganha um novo restaurante no térreo, da chef Julia Sherman. Com menu sazonal e guiado pelos ingredientes mais frescos da estação, o espaço é repleto de arte, incluindo uma obra de Ian Cheng e móveis projetados por Minjae Kim. A loja do New Museum também aumentou de tamanho, oferecendo uma seleção de livros de arte, além de objetos que celebram a expansão, as exposições e obras encomendadas.
New Humans
Ocupando todo o espaço ampliado, New Humans: Memories of the Future explora como mudanças tecnológicas e sociais impulsionaram novas concepções do que significa ser “humano”, reunindo obras de mais de 200 artistas, escritores, cientistas, arquitetos e cineastas.
Figuras emblemáticas do século XX, como Constantin Brâncuși, André Breton, Salvador Dalí, Man Ray e August Sander são colocadas em diálogo com artistas visionários e pouco reconhecidos, como Bruce Lacey, Rammellzee, Toyen e Unica Zürn. Além disso, a exposição traz 15 novas obras de artistas contemporâneos que se destacam na atualidade, incluindo Ryan Gander, Wangechi Mutu, Hito Steyerl e Alice Wang.
Mais precisamente, New Humans traça um paralelo entre a década de 1920 e o presente. Desde o surgimento do termo “robô” e a ascensão do trabalho automatizado, nas primeiras décadas do século XX, juntamente com o surgimento da guerra mecanizada e a explosão das novas mídias. Esses fenômenos se refletem em nossa realidade em meio à inteligência artificial, na brutal eficiência da guerra contemporânea e nos inúmeros mecanismos de desinformação, que configuram a comunicação na era digital.
Além da exposição principal, destacamos três novos trabalhos que foram encomendados para o edifício expandido: a obra de Tschabalala Self, criada para a fachada do museu; uma escultura monumental de Klára Hosnedlová para a nova escadaria; e obra de Sarah Lucas que integra a entrada do edifício.
(Texto Miriam Kaibara)



























