Não é fácil traduzir em palavras a sensação de singrar por uma sequência de ilhas tão paradisíacas quanto vivas, num dos roteiros mais cobiçados do recém-remodelado navio Crystal Serenity: Tahiti – Lautoka.

Cada polegada percorrida diante do horizonte turquesa sem fim, ao sul do Oceano Pacífico, traz a constatação de que o protagonista é o momento presente. Ou melhor, uma coleção de momentos que vão sendo eternizados enquanto a brisa conta histórias de povos distantes e destinos remotos.

E quando você imagina que viveu o ápice da viagem e que é impossível melhorar, acaba deixando de lado esse pensamento. Afinal, mais de 25 mil ilhas se espalham pelo maior e mais antigo oceano do planeta, na Oceania — entre Nova Zelândia e Austrália —, compondo paraísos tropicais divididos entre a Polinésia (Tahiti, Ilhas Cook, Tonga, Samoa, Tuvalu), Melanésia (Fiji, Vanuatu, Ilhas Salomão) e Micronésia (Kiribati, Palau, Ilhas Marshall). Nada melhor do que zarpar em um cruzeiro de ultraluxo para ver alguns desses paraísos cintilando pelo mar.

Vista panorâmica da Lagoa de Bora Bora, na Polinésia Francesa Gettyimages / AchimHB
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IA ORA NA, TA H IT I

Embarcar em Papeete rumo a Moorea e Bora Bora é a certeza de começar uma aventura em grande estilo. Tão azul quanto farto de tradições genuínas, o Tahiti recebe os visitantes com flores e com a gentil expressão “ia ora na”, que significa “que você tenha vida e saúde”.

A Polinésia Francesa é composta de mais de uma centena de ilhas e atóis agrupados em cinco arquipélagos — Sociedade (onde ficam as estrelas, Bora Bora e Moorea), Marquesas, Austrais, Gambier e Tuamotu —, abrangendo uma área gigantesca do Pacífico Sul que equivale à metade do território brasileiro. Se na capital, Papeete, são as boutiques de pérolas negras que seduzem, em Bora Bora e Moorea são as lagoas de água turquesa, os recifes de coral e o equilíbrio perfeito da vida marinha. Um convite ao mergulho entre cardumes multicoloridos, tartarugas, tubarões e arraias. Isso tudo arrematado pela presença histórica dos “mahus”, homens criados pelas famílias com a delicadeza feminina e pela valorização da ancestralidade. Belo por todos os ângulos.

Pôr do sol envolve a montanha coberta pela selva de Rarotonga, nas Ilhas Cook, no Pacífico Sul Gettyimages / Didier Mart

M E ITA K I, ILHAS COOK

Pouco mais de mil quilômetros à frente — tempo suficiente para viver a paz do navio em um dia inteiro de navegação — surgem 15 pontinhos de terra espalhados pela imensidão azul. As Ilhas Cook são simultaneamente remotas e acessíveis, tradicionais e modernas.

Rarotonga, a principal ilha do arquipélago, é um paraíso vulcânico de 32 quilômetros de circunferência no centro de um atol arenoso, sem semáforos ou edifícios que ultrapassem a altura de um coqueiro. Oferece um ritmo de vida tranquilo, com transporte facilitado por apenas dois ônibus: um no sentido horário e outro no anti-horário. Eles rodam em mão inglesa. Inglês também é o idioma oficial, assim como o maori, mais comumente falado pelos locais. “Meitaki” quer dizer obrigada. E agradecida estava eu por ter desembarcado em Rarotonga, ilha ancorada em uma cultura robusta que emerge no Punanga Nui Market, enquanto a missa de domingo, na Cook Islands Christian Church, revela crenças desde sua construção, em 1853.

Ao norte, a lagoa de Aitutaki é cercada por ilhas desertas, representando um dos tesouros mais cênicos do Pacífico. Para compor o panorama, experimente uma cerveja caseira em um tradicional “atituan tumunu” (clube de degustação de cerveja artesanal), explore os makatea (penhascos de coral elevados) e nade nas piscinas subterrâneas das cavernas de Mitiaro e Mauke.

Sala de jantar da Penthouse Suite Crystal Serenity Crystal Cruises / Foto divulgação

MALO E LELEI, TONGA

Diga adeus ao hype turístico e dê um caloroso “malo e lelei” (olá) a Tonga. Liderada pelo Rei Tupou VI, Tongatapu é a principal ilha do reino e abriga tesouros que contam séculos de história, como o majestoso Palácio Real, em Nuku’alofa, e as imponentes tumbas reais, que guardam o descanso da linhagem monárquica em estruturas colossais de pedra. Eis um reino rústico, onde a vida religiosa é onipresente e não há nada que não possa esperar até amanhã. A rotina segue o ritmo da “island time”.

Depois de se adaptar ao balanço das horas, você nem precisa buscar uma experiência cultural em Tonga: ela está por toda parte, desde os monumentos megalíticos de Ha’amonga ‘a Maui, o “Stonehenge do Pacífico”, até o cotidiano das vilas. Tonga é repleta de fenômenos naturais impressionantes. Sinta a força do oceano nos Mapu ‘a Vaea Blowholes, onde gêiseres marítimos lançam jatos de água a até 18 metros de altura através de fendas nos recifes, por quilômetros da costa. O país tem praias deliciosas, com inúmeras possibilidades de prática de snorkel e mergulho, sendo as baleias-jubarte as estrelas a serem acompanhadas nos meses de julho a outubro, quando migram da Antártida para se reproduzirem.

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BULA, F I J I

Mais um dia de navegação e o mosaico azul de Fiji, salpicado de florestas tropicais, dá o tom a uma cultura milenar embalada pela Melanésia. Desembarcar no solo vulcânico de Vanua Levu, no povoado de Savusavu, onde fontes termais brotam da areia, e em Viti Levu, no imenso porto de Lautoka, é mergulhar em um arquipélago de mais de 330 ilhas onde o tempo é regido pela hospitalidade. A experiência se aprofunda na cerimônia de kava — ritual que sela a amizade com uma bebida preparada a base de uma raiz terrosa, servida em uma tanoa — e se suaviza com uma tradicional massagem fijiana à beira-mar, cujos toques de cura trazem equilíbrio entre o corpo e a alma. Sob as águas, o mergulho de snorkel descortina jardins de corais com peixinhos de todas as cores. Mas Fiji também revela uma herança histórica que vai do passado canibal de tribos guerreiras à vibrante presença da população indiana, que trouxe especiarias, templos hindus coloridos e uma nova camada cultural ao país ao ali chegar, no século 19, para contribuir com a mão de obra nas plantações de cana-de-açúcar.

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