Entre mergulhos, expedições e encontros inesperados com a vida selvagem, explorei áreas inalcançáveis para a maioria das outras navegações.
Disperso em meio ao Oceano Índico, Seychelles sempre foi um sonho para mim desde pequena. Algo que parecia tão incrível mas, ao mesmo tempo, tão distante e intocável. Quando surgiu a oportunidade de conhecer o país, não apenas por terra, mas navegando a bordo de um yacht superexclusivo, foi impossível dizer não. E a verdade é que a experiência superou — e muito — todas as minhas expectativas.
A jornada teve início em Mahé, uma passagem breve, porém marcante, com estada no Cheval Blanc Seychelles, um daqueles hotéis que parecem ter saído de um sonho: lindo, chique e impecável. Tem um serviço espetacular em todas as 52 villas, que contam com vista panorâmica para o mar e acesso direto à praia.
Chega, então, o momento de conhecer o Aqua Lares, o novíssimo superyacht de 77 metros da Aqua Expeditions. Em um roteiro de nove noites, navegamos por ilhas remotas e algumas totalmente inabitadas, aonde pouquíssimas pessoas conseguem chegar.
Saímos de Mahé e fomos nos afastando de tudo até chegar à Ilha D’Arros, no Grupo Amirantes, administrada pela Save Our Seas Foundation e conhecida por seu ecossistema intocado. A travessia em alto-mar foi marcada por um dia inteiro de navegação, até a Ilha Astove, um dos melhores pontos para snorkeling e mergulho no Oceano Índico graças à Astove Wall, frequentemente descrita como Grand Canyon subaquático, que abriga diversas espécies da vida marinha.
Na próxima parada foi a vez de conhecer o Atol de Aldabra. Declarado Patrimônio Mundial pela Unesco, ele apresenta um dos ecossistemas mais isolados do planeta e tem cerca de 14 habitantes, além de ser o lar da maior população de tartarugas-gigantes do mundo, répteis que podem viver até os 150 anos e pesar entre 250 e 350 quilos.
Durante a viagem também presenciamos muitos tubarões, cuja imagem foi desmistificada pelos guias, que explicaram como o cinema de Hollywood ajudou a construir um imaginário exagerado em torno desses animais. Em Aldabra fui cercada por oito pequenos tubarões e, apesar de ter sentido certa aflição, percebi que eles não representaram perigo algum. Entre tantas formas de fauna marinha, como tartarugas e arraias, a incrível variedade de peixes nas águas cristalinas chamou minha atenção: tão diferentes e coloridos que me fizeram sentir dentro do mundo de Nemo.
No Atol de Cosmoledo fomos em busca de aves marinhas, como o atobá-mascarado e o atobá-pardo, criando um belo momento para os observadores de pássaros, já que chegávamos bem próximo dessas criaturas. No dia seguinte, fui tomada pelas águas azul-turquesa vibrantes da Ilha Cerf, no Grupo Farquhar, onde a rica vida marinha pode ser vista de perto durante mergulhos pelos recifes de corais intocados.
O mergulho, aliás, é a principal atividade nessa viagem, ideal para os amantes do mundo subaquático. A cada dia, uma nova ilha nos aguardava, com uma imersão pela manhã e outra à tarde. Os hóspedes eram divididos em dois grupos: os que faziam snorkeling (no qual eu me incluía) e os que realizavam mergulhos profissionais — estes últimos acompanhados por uma equipe altamente especializada e munida de todo equipamento necessário.
Os dois últimos dias, antes do desembarque em Mahé, reservaram momentos para apreciar a praia. O primeiro, na Ilha Bijoutier, no Grupo Alphonse, que proporciona atividades como caiaque e stand-up paddle; e o segundo, na Ilha Desroches, no Grupo Amirantes, cercada por deslumbrantes faixas de areia branca, onde curtimos uma sunset party.
Quiet luxury em alto mar
Com capacidade para acomodar apenas 30 hóspedes, o Aqua Lares possui 15 cabines distribuídas em cinco categorias, incluindo três Owner’s Suites, que têm entre 39 e 66 metros quadrados. As demais variam de 13 a 30 metros quadrados. Com interiores aconchegantes, as suítes são amplas e confortáveis, com uma cama que envolve e acolhe, além de banheiros espaçosos.
A gastronomia foi impecável em todas as refeições, com menu desenvolvido pela premiada chef Karime López. O café da manhã era servido em um buffet, já o almoço e o jantar em family style — com entradas e principais colocados à mesa.
Entre os entretenimentos a bordo havia cooking demos, em que observávamos o chef preparar um prato; uma visita aos bastidores, para conhecermos a cabine do capitão; e até uma tarde de cinema e momentos relaxantes no spa e na jacuzzi. Também aprendemos muito sobre a geologia, fauna e flora de Seychelles, em palestras diárias nas quais os guias nos falavam do destino seguinte. Um dos detalhes mais marcantes era a política shoeless do yacht: durante nove dias andei descalça pela embarcação — inclusive nos jantares —, desfrutando de uma liberdade que só uma navegação de ultraluxo pode proporcionar.
Lembrarei para sempre dessa experiência que nenhuma foto ou vídeo consegue captar. Um quiet luxury com glamour leve, sutil. O auge da sofisticação, mas sem excessos — tanto que basta uma mala leve, só com o essencial.
Entre a imensidão do mar e o silêncio absoluto, foi difícil voltar ao mundo real — como se Seychelles fosse um lugar fora do tempo.
(Edição Miriam Kaibara)



























