Uma porta de entrada importante para os Lençóis e para as lagoas mais bonitas. É assim que a designer paulistana Marina Linhares define a OIÁ Casa Lençóis, o projeto de hospitalidade criado em um dos destinos mais desejados do Brasil.

A ação da natureza nunca foi tão precisa. Imensidões de areia fazem o lugar parecer um deserto, mas só parecer. A região é banhada por rios cujas águas evaporam e ajudam afazer chover de janeiro a junho, for-mando lagoas cristalinas entremeadas por sinuosas dunas de areias brancas que escorregam por uma longa faixa no litoral. E assim, há mais de 10 mil anos, o vento se encarrega de moldar e desenhar uma das paisagens mais estonteantes do nordeste brasileiro.

OIÁ Casa Lençóis: uma hospedaria contemporânea na entrada do Parque Nacional Alexandre Suplicy

Criado há 40 anos, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, a 250 quilômetros da capital, São Luís, é o maior campo de dunas da América do Sul e vem sendo descoberto por novos viajantes. Recentemente, o jornal The New York Times incluiu o Parque (11ª posição) na lista dos 52 melhores lugares para conhecer em 2023, definindo-o como “um antídoto contra a sensação claustrofóbica da fase Covid, uma vasta paisagem lunar sem fronteiras onde você pode vagar selvagem e livremente”. A porta de entrada para o Parque se dá por cidades como Barreirinhas e Atins, ambas a 260 quilômetros da capital, São Luís, mas é em Santo Amaro (240 quilômetros ao norte) que a viagem fica mais emocionante. Para quem busca natureza, ela surge com uma beleza arrebatadora já que, das três cidades, Santo Amaro fica mais próxima do Parque. O acesso para chegar a esse santuário natural onde o vento faz poesia é mais difícil, mas compensa: é ali que ficam as dunas mais altas e algumas das lagoas com menor número de visitantes da região, como a do Murici, da Gaivota e da Betânia.

A novidade por lá é a OIÁ Casa Lençóis, hospedaria contemporânea criada em 2022. O empresário Tomas Perez e a designer Marina Linhares, pensaram um projeto inédito de hospitalidade na região.

Ruy Teixeira
Ruy Teixeira
Ruy Teixeira

A OIÁ Casa Lençóis ocupa o espaço da antiga Fazenda Boca da Ilha, hoje totalmente renovada, e está instalada em uma área de 52.500 metros quadrados de vegetação natural, circundada de lagoas que se formam com as chuvas no primeiro semestre do ano.

A Casa Principal conta com uma suíte de 26 metros quadrados, cozinha e área de convivência comum formada por sala e um grande e agradável terraço. Afastados a poucos metros há doisBangalôs, com duas suítes de 31 metros quadrados em cada um. A hospedagem é full board, com café da manhã, lanches, almoço, jantar e bebidas soft drink. O cardápio de atividades inclui passeios de meio dia ou dia inteiro, nos quais é possível percorrer as dunas do parque em quadriciclos, explorar a região em caminhadas de média intensidade para chegar às lagoas mais especiais, fazer piqueniques, trajetos em caiaques, stand up paddle e excursões noturnas quando a luminosidade no parque permitir, entre outras opções.

Conhecida por seu trabalho de design de interiores que incorpora elegância discreta e equilíbrio perfeito entre cores e texturas, Marina Linhares foi conhecer a região em maio de 2022 e se encantou pelas belezas locais, mais ainda pela casa“meio abandonada” que, a partir dali, ela transformaria em uma hospedaria contemporânea, uma paragem para quem busca o contato genuíno coma natureza. Um descanso entre uma aventura e outra naquele estonteante deserto das águas.

Decoração: intenção de criar um cenário que se confunda com a natureza e conte a história do lugar, enaltecendo a cultura local.

A seguir, ela nos conta detalhes sobre seu processo criativo nesse projeto que começa a receber os primeiros hóspedes na segunda quinzena de junho.

ENTREVISTA

Você já conhecia a região dos Lençóis Maranhenses antes desse projeto?

Na verdade, meu irmão e amigos velejam e fazem kite surf, por isso eles têm ido muito aos Lençóis. Mas eu, particularmente, não conhecia. Foi por causa deles que fui até lá. Todo entusiasmo veio dessa história.

Qual é a sua percepção, o seu olhar, sobre Santo Amaro?

Eu brinco que é uma cidade mais “pra dentro”. Ela tá na boca da entrada dos Lençóis, mas numa parte mais pro interior. E a casa, na verdade, é uma ilha, chama-seFazenda Boca da Ilha, que tem vista para as dunas. Então eu estou dentro de Santo Amaro e, ao mesmo tempo, comum a sensação de estar muito fora.

E como foi quando você chegou?

Quando chegamos era baixa temporada, que é o inverno, a estação das chuvas. Era maio de 2022, estávamos saindo da pandemia, então a chegada foi mágica, uma descoberta de sentimentos crescendo dentro de mim. Ao mesmo tempo que estávamos naquela cidade, onde era pouco provável de se estar, com um entorno bastante alagado à época, eu também estava ao lado de uma beleza que me conquistou imediatamente – a natureza da forma mais nua e crua estava ali. Eu fiquei encantada porque, assim como a nossa casa da região da Bocaina, cujo projeto de restauração eu documentei no meu livro [Alguém Passa por Aqui e Deixa Alguma Coisa, 2019], a casa em Lençóis também estava meio abandonada.

O que você quer dizer com uma cidade pouco provável?

Uma cidade que cresceu muito nesse movimento de redescoberta do Brasil durante a pandemia. Então realmente foi um susto, tanto entender onde eu estava quanto o prazer imenso de estar enxergando uma grande possibilidade de oportunidades naquele momento. É uma cidade que passou a contar com o incentivo e o interesse do turismo em torno de um rio [Rio Alegre], que é lindo, e tem toda a simpatia de uma nova descoberta, de um lugar novo. E é uma porta de entrada importante, na minha opinião, para os Lençóis e as lagoas mais bonitas.

Você já assinou vários projetos de arquitetura e decoração de casas. Como é a sua relação com uma casa?

De maneira geral, é sempre buscando intimidade com ela para trazer o uso pessoal. E aí meu trabalho acaba sendo o de chegar ao meu cliente e pensar: que casa é essa que vai fazer bem para ele?

Fale um pouco do seu processo de criação da OIÁ Casa Lençóis.

Eu tentei respeitar ao máximo a arquitetura local e trazer um conforto atual que condiz com o que o mercado de turismo pede hoje. Eu brinco que essa casa é uma hospedaria, mas que oferece um conforto imenso. É um lugar de muita beleza natural, onde o mais importante é estar lá fora, na natureza. O intuito da casa é simplesmente ser um “pouso” para receber aventureiros, mas de uma forma mais acolhedora, mais confortável.

Seus projetos geralmente são carregados por referências de suas viagens. O seu olhar voou para onde dessa vez?

Na verdade, a busca foi muito íntima e não foi olhando para fora, foi olhando para o lugar onde a gente estava. Uma busca por materiais e por artistas que tivessem a ver com esse nosso Norte-Nordeste. Lembrando que esse lugar não tem uma riqueza arquitetônica para se gostar, mas tem uma história interessante. Então, dentro daquilo que a gente tinha, buscamos contar uma história muito maranhense.

“Eu brinco que essa casa é uma hospedaria, mas que oferece um conforto imenso. É um lugar de muita beleza natural, onde o mais importante é estar lá fora, na natureza”

De onde veio a inspiração das cores e dos materiais para construir conforto nessa casa?

O intuito na escolha de materiais foi, sem dúvida, falar de regionalidade. As cores são as das dunas. Acho que a casa é toda em tons de areia, ora brincando com tons acima, ora abaixo. E com pitadas de colorido para trazer alegria. Cerâmicas e palhas falam das artesanias dessa região. Brincamos com o modernismo e com peças de design bem brasileiro. As cadeiras em couro e ferro remetem a uma criação da Lina Bo Bardi, já as cadeiras de franja, em palha de buriti, são da designer Neca Abrantes. Também usamos peças garimpadas e artesanato da região misturados com arte, como o Cupinzeiro, da artista plástica Lídia Lisboa.

E a frase “Arte é para corajosos”, de Shirley Paes Leme?

Mostra a minha vontade de trazer arte quando possível. Adoro!

A estrutura da casa recebeu alguma modificação substancial?

A casa foi aumentada com a criação de uma grande varanda. Também fizemos dois grandes bangalôs com mais quatro suítes. Os bangalôs estão fora da casa, mais distantes.

Como você quer que os aventureiros se sintam quando chegarem a essa paragem?

Eu quero que as pessoas se sintam como eu me senti: dentro dos Lençóis Maranhenses. Que se sintam fazendo parte, que a casa seja uma continuidade dessa experiência linda que é nadar nos lagos e passear por essas dunas maravilhosas.

oiaexperience.com

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