Em St. Barth, uma ilha sem fontes naturais de água doce, sustentabilidade não é tendência — é forma de existir. A ilha com alma francesa se converte em exemplo de responsabilidade socioambiental ao criar ações inéditas no Caribe.
Qual é a visão do CTTSB sobre sustentabilidade para Saint-Barth nas próximas décadas?
Sustentabilidade e turismo são inseparáveis — para que um destino realmente perdure, ele precisa ser construído sobre responsabilidade ecológica. Isso é especialmente verdadeiro em um pequeno e frágil ecossistema insular como o nosso. St. Barth há muito é pioneira no Caribe: da forma como gerimos nossos resíduos aos sistemas autônomos de energia que abastecem nossos hotéis, lideramos pelo exemplo. Nossa ambição é clara: cada setor da nossa indústria do turismo tem um papel a desempenhar nessa transição ecológica, e pretendemos manter esse padrão pelas próximas décadas.
Quais são hoje os principais programas de sustentabilidade liderados ou apoiados pelo CTTSB que são caros ao seu coração?
A iniciativa de proteção dos recifes de coral. Nossos ambientes subaquáticos e marinhos estão entre os presentes mais preciosos que St. Barth tem a oferecer — fazem parte da nossa identidade e do nosso apelo. No entanto, estão sob ameaça real. À medida que as temperaturas dos oceanos continuam subindo devido às mudanças climáticas, o branqueamento dos corais erode silenciosamente a nossa vida marinha. Proteger e restaurar esses recifes não é apenas um imperativo ambiental; é nossa responsabilidade para com as gerações futuras e para com cada visitante que se apaixona pelas nossas águas.
O que você gostaria que o visitante brasileiro entendesse, vivenciasse e levasse de uma estadia em Saint-Barth? O que ele pode fazer, como hóspede, para contribuir?
St. Barth não tem fonte natural de água doce — cada gota de água consumida nesta ilha é produzida por dessalinização. Pedimos com gentileza que todos os nossos hóspedes estejam atentos a essa realidade. Os visitantes brasileiros, que chegam com uma afinidade natural pelo Caribe e um profundo respeito pela natureza, são exatamente o tipo de viajante que prezamos. Aqueles que quiserem ir além e ativamente retribuir à ilha podem doar para a nossa agência ambiental, que conduz programas que vão da conservação da vida marinha às reservas naturais terrestres, à proteção de espécies vegetais nativas e à supervisão ambiental dos alvarás de construção. Nosso meio ambiente é a nossa casa — e o protegemos com tudo o que temos.
Como Saint-Barth aborda a dimensão social do turismo: trabalhadores locais, herança crioula, comunidades pesqueiras, formação profissional e transmissão intergeracional da identidade?
Nossa cultura é o próprio fundamento de quem somos como comunidade e como destino. Acreditamos que os benefícios do turismo devem fluir diretamente para as famílias locais, e que a próxima geração de moradores de Saint-Barth deve encontrar seu lugar e seu orgulho dentro da indústria do turismo. No plano cultural, o patrimônio local é fundamental em nossos eventos, para que os visitantes possam vivenciar nossa identidade não como peça de museu, mas como algo vivo e presente. Estamos também planejando uma conferência de turismo dedicada a como podemos incorporar de forma mais significativa o nosso patrimônio cultural na jornada do visitante — por meio de roteiros a pé curados em Gustavia, mirantes que convidam à reflexão sobre nossos bairros e sua história, e narrativas que tornam o nosso passado tangível. O turismo deve ser uma ponte entre os nossos hóspedes e a alma desta ilha.
Da memória arawak à viva herança normanda, bretã e poitevina — patois, quichenottes, cestaria, a cultura pesqueira de Corossol, os canots saintois —, como o Saint-Barth Tourisme trabalha para documentar, preservar e transmitir essa herança?
Essa pesquisa é precisa, e fico feliz que tenha trazido o tema, porque essa herança é extraordinária e merece ser conhecida. Saint-Barth carrega em si uma das mais singulares estratificações culturais de todo o Caribe. Muito antes da chegada dos europeus, o povo arawak deixou sua marca nesta terra. Depois vieram os colonos da Normandia, da Bretanha e do Poitou no século XVII — e, ao contrário de boa parte do Caribe, seus descendentes nunca foram embora. Hoje, a comunidade nativa de Saint-Barth ainda fala um patois enraizado no antigo francês normando; preservamos os tradicionais chapéus e cestos de palha em Corossol. As quichenottes, o bonnet característico usado pelas mulheres para se proteger do sol, são um símbolo que perdurou através dos séculos. Preservar essa herança exige um trabalho ativo e deliberado.
Apoiamos esforços de documentação, educação cultural nas escolas e a promoção dos nossos artesãos e comunidades pesqueiras como parte genuína da experiência do visitante — não um espetáculo folclórico, mas um encontro com algo autêntico e insubstituível. Nossos festivais e eventos locais são curados para dar visibilidade a esse patrimônio. Trabalhamos também em estreita colaboração com instituições locais para garantir que a transmissão às gerações mais jovens aconteça não apenas pela memória, mas pela prática. O luxo de Saint-Barth é inseparável dessa profundidade cultural. Um visitante que parte tendo compreendido mesmo uma pequena parte dessa história leva consigo algo bem mais valioso que um souvenir.

























