A experiência de se hospedar no Ibiti Projeto está diretamente ligada ao território que o cerca. Às margens do Parque Estadual do Ibitipoca, em Minas Gerais, a recuperação de áreas naturais e a valorização da biodiversidade orientam uma proposta que aproxima hospitalidade, conservação e cultura.

Com uma história de 44 anos, o Ibiti Projeto transformou uma antiga propriedade rural em um amplo território dedicado à regeneração ambiental, à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento local. Com diferentes propostas de hospedagem, iniciativas de pesquisa e preservação da fauna e da flora, o projeto também valoriza a cultura e as comunidades da região, construindo uma relação entre turismo e natureza que vai além da estadia. 

Entre as iniciativas recentes estão a reintrodução de muriquis na mata e a chegada da Praça da Paz, novo espaço de contemplação com vista panorâmica para as montanhas, que conta com instalação contemplativa e obras de arte.  

Visão panorâmica da Vila Mogol, no coração do Ibiti Village. Ibiti/Divulgação

A liberdade que renasce na floresta

Em uma história que remonta há mais de 20 anos, quando uma espécie de muriqui foi fotografada pela primeira vez na Mata do Luna, o Ibiti Projeto tem se dedicado desde então a estudos juntos a especialistas de diversas partes do país. Do início dos anos 2000 a 2025 haviam cerca de apenas dez animais, que desapareceram gradualmente até restarem apenas a dupla Luna e Bertolino.  

O esforço pela conservação dos muriquis ganhou outro fôlego após a criação da Muriqui House, em 2019, onde a dupla remanescente e fêmeas resgatadas de outras regiões passaram a formar um novo grupo com acompanhamento do MIB (Muriqui Instituto de Biodiversidade). A organização, dedicada à proteção dos muriquis e de seu habitat, monitora cerca de 700 animais, com tecnologia de rastreamento, câmeras e análise genética, acompanhando a espécie e apoiando pesquisas acadêmicas e ações de educação ambiental.  

Muriquis-do-norte livres na floresta. Bruno Sartori/Ibiti Projeto/Divulgação
Bruno Sartori/Ibiti Projeto/Divulgação

Com cerca de seis hectares dedicada ao manejo, à pesquisa e à reprodução assistida do muriqui-do-norte, a Muriqui House é mantida pelo Ibiti em parceria com o MIB, a UFV, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (ICMBio), o Instituto Estadual de Florestas (IEF – MG) e a University of Wisconsin–Madison. A união de ações como monitoramento comportamental, avaliações veterinárias e integração social planejada e acompanhamento contínuo, foi essencial para preparar os animais reintroduzidos em 2026. 

O projeto inédito em Minas Gerais, deu luz ao perigo de extinção do maior primata das Américas e o risco de que a espécie possa desaparecer sem que a maioria da população a tenha conhecido. Em 2026, dez muriquis-do-norte foram reintroduzidos na Mata da Boa Vista, no entorno do Parque Estadual do Ibitipoca. Sete deles vieram da Muriqui House, após anos de cuidados, e outros três vieram de Peçanha, no Leste de Minas, em uma operação liderada pelo MIB e Ibiti, além da Universidade Federal de Viçosa (UFV), do Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG) e do ICMBio/IBAMA-MG. 

“Chegar a esse momento significa que conseguimos transformar uma situação que apontava para a extinção local em uma possibilidade. Mas isso é só o começo de uma nova fase, em que vamos descobrir se esses grupos conseguem se estabelecer e se reproduzir na floresta”, disse Fabiano Melo, primatólogo e professor da UFV.  

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E o trabalho não termina por aqui: o monitoramento é contínuo através de colares GPS e drones termais em parte dos animais, para que se tenham informações sobre quais áreas eles ocupam, como se relacionam e se irão formar um grupo e futuramente se reproduzir. Para perspectivas de longo prazo é necessário que a pequena população cresça e mantenha a diversidade genética. 

Para o início de 2027, já há outro projeto à vista focado em um plano de manejo populacional do bugio ruivo. “Nós temos um projeto escrito que aguarda a aprovação, para o reforço populacional do bugio ruivo, um dos 25 primatas mais ameaçados do mundo, a alouatta guariba (nome científico), que sofreu muito com a febre amarela e foi quase dizimado de nossa região. O projeto é focado em trazer mais indivíduos que estejam em cativeiro e que foram apreendidos por órgãos, para que eles se reproduzam e a gente faça a soltura para reforçar essa população”, disse Clariane Maranho, bióloga do Ibiti Projeto.  

NATUREZA, ARTE E CONTEMPLAÇÃO

Novo ponto de encontro ao ar livre, a Praça da Paz, com vista de 360 graus para o vale e a serra, passa a ser palco de grandes momentos, como a programação de solstícios e equinócios do Ibiti, reunindo hóspedes, moradores e convidados para marcar a passagem das estações. Além de receber cerimônias de casamento e aniversários, no local ainda acontecem práticas de meditação e sessões de sound healing ao nascer e ao pôr do Sol e da Lua. 

Sessão de sound healing na Praça da Paz. Ian Castillo/Ibiti Projeto/Divulgação

Como uma verdadeira obra em processo, no caminho de subida até à Praça foram plantadas 42 mudas de araucárias por colaboradores do Ibiti, hóspedes e amigos do projeto. Formando o símbolo da paz, quando vistas de cima, elas ganham novos contornos à medida que crescem. 

Um destaque logo na entrada são as Lunetas da Regeneração, uma instalação de aço que convida a observar áreas de mata, encostas e antigos pastos em diferentes estágios de recuperação, além da obra “Non Violence”, escultura do artista sueco Carl Fredrik Reuterswärd, que se tornou um símbolo mundial da paz e apresenta um revólver com o cano amarrado em um nó. Completando os itens artsy, a obra de Hugo França, feita a partir de um grande tronco de árvore, também integra o conjunto de instalações.  

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TRÊS CONCEITOS DE HOSPEDAGEM

No melhor estilo rustic chic, o Ibiti Projeto proporciona três estilos de estadia. O Mogol, a pequena e charmosa vila com vista para a Serra do Ibitipoca, onde os poucos mais de 20 moradores conversam na praça, cachorros e crianças brincam na rua, funciona como uma espécie de “capital” do Ibiti. É onde está instalada a recepção do hotel, spa, restaurante vegetariano, café, cinema e sala de eventos.

Tomar banhos de cachoeira, fazer caminhadas e passeios a cavalo, jantar em uma caverna, ver de perto a My Big Family, instalação da artista norte-americana Karen Cusolito com sete esculturas em escala grandiosa feitas de metal reciclado, fazer aulas de yoga ao nascer do sol, passear de bike ou simplesmente ver a vida passar em contato com a natureza são atividades que estão no cardápio de serviços proporcionados aos hóspedes.

A aconchegante cama da Casa Thomas Sowell. Ibiti Projeto/Divulgação

VILLAGE

O conceito village na prática são casas temáticas, com decoração individual. A Wangari Maathai, está situada no início da vila, é ensolarada e tem cinco suítes, que unem simplicidade e o conforto. A Casa Freud, tem fachada discreta e simples, ladeada por casas de moradores, e esconde um interior surpreendente, com décor inspirada no pai da psicanálise. A grande sala de banho fica separada do quarto e conta com uma banheira de alvenaria abaixo do nível do chão.

Momento na banheira na Casa Freud. Divulgação/Acervo Ibiti Projeto

A Guimarães Rosa, é perfeita para famílias: erguida em dois andares, com opção de acesso compartilhado ou independente, a casa é espaçosa e acolhedora, com amplas janelas abertas para o vale, de onde se escuta o som da cachoeira. Também para famílias ou pequenos grupos de amigos, a Casa Thomas Sowell é uma antiga casa de morador, totalmente restaurada. No total, são oito casas temáticas e mais quatro opções em estilo lodge instaladas na vila.

ENGENHO

O segundo conceito é o Engenho Lodge e a Casa Carlinhos, com atmosfera típica das antigas fazendas mineiras. Inaugurado em 2008, o Engenho Lodge está listado como um dos melhores hotéis de luxo do país.

Por ali, impera o charme colonial em oito amplas suítes, que podem ser ocupadas separadamente ou em esquema de buy-out. Espere por varandas emolduradas por flores, longa mesa de jantar compartilhável e o clássico fogão a lenha. O hóspede também tem acesso a sauna, jacuzzi, sala fitness e ao Raízes Spa.

Uma das amplas suítes do Engenho Lodge Alexandre Eça

A Casa Carlinhos possui três suítes, com projeto arquitetônico semelhante a do Engenho. A maior, com 70 metros quadrados, tem vista para o Pico do Gavião. As outras duas têm 60 metros quadrados. Todas decoradas com artesanato mineiro.

REMOTE

Quem procura por total privacidade e imersão na natureza encontra no conceito Remote o lugar ideal. As casas ficam mais afastadas, em espaços isolados na extensa área da propriedade. Nessa região, onde o quartzito forma tapetes de areia e uma cachoeira desce de uma das vertentes do Parque Estadual do Ibitipoca, há duas hospedagens confortáveis e privativas. Distante 18 quilômetros do Mogol e 26 quilômetros do Engenho, o acesso a elas se dá por bicicleta, a cavalo ou em veículos 4×4.

A estrada de terra e o isolamento nos lembram que o caminho faz parte da jornada de total intimidade com os cenários naturais. Mais radical, o Isgoné Loft é um refúgio nas montanhas, a quase 1500 metros de altitude, distante nove quilômetros do Mogol Village, com acesso a pé ou de bike. Aqui a ideia é de isolamento completo, com permanência recomendada de apenas uma noite.

A remota Isgoné, um verdadeiro refúgio. Ibiti Projeto/Divulgação

Para saber todos os detalhes sobre a estadia no Ibiti Projeto, clique aqui.  

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