Das Dolomitas à Lapônia finlandesa, de Andorra ao coração de Utah, os grandes destinos do Hemisfério Norte se preparam para receber um viajante que não quer apenas esquiar — quer sentir.
Há décadas, as atividades na neve fascinam muito além do esporte: esquiar é uma forma de autoconhecimento embutida num par de botas e num par de pranchas.
Conheça seis destinos que definem o que é esquiar com elegância, propósito e uma pitada de emoção genuína. Para todas as idades, para todos os níveis — da primeira descida ao declive expert que faz o coração disparar. Porque a neve, ao contrário do que parece, não separa as pessoas: ela as reúne.
DEER VALLEY
UMA EXPERIÊNCIA DE MONTANHA ELEVADA EM CADA DETALHE
A apenas 45 minutos do aeroporto de Salt Lake City, Deer Valley é daqueles raros destinos em que a viagem evolui para uma experiência de inverno sofisticada. Em Park City, o resort se distingue por um posicionamento muito próprio, que engloba uma montanha exclusiva para esquiadores, serviço atencioso, pistas impecavelmente cuidadas e atmosfera elegante, mas sem excessos. É o que chamamos de “The Deer Valley Difference”: uma combinação de hospitalidade refinada, ótima estrutura e atenção aos detalhes que se percebe tanto nas pistas quanto na hospedagem, na gastronomia e no cardápio de atividades.
Para famílias, o destino é especialmente convidativo: há serviços de childcare, escola de esqui reconhecida e uma variedade de terrenos para acolher diferentes níveis de experiência, o que torna a viagem mais fluida para pais e filhos. Quem chega por lá na temporada de inverno encontra diferenciais marcantes: experiências exclusivas como o Max 4, com grupos reduzidos para um acompanhamento mais personalizado, o Ski With a Champion e as Women’s Clinics, que ampliam a vivência na montanha para além do esqui tradicional. E há novidades importantes, sim, mas elas entram aqui como parte de uma história maior: o projeto Expanded Excellence já entregou cerca de cem novas pistas, dez novos teleféricos e o Deer Valley East Village, ampliando de forma significativa a área e as possibilidades do resort. Fora das pistas, Deer Valley e o centro de Park City completam a viagem com ótimas opções de compras e bem-estar.
IKON PASS
Mais do que um simples passe de esqui, o Ikon Pass funciona como uma chave de acesso para mais de 70 destinos de montanha ao redor do mundo, oferecendo diferentes modalidades que variam em número de dias, benefícios e restrições de datas. Para o viajante brasileiro, o apelo é imediato: além de representar uma comodidade importante em comparação à compra avulsa de tickets em cada estação, o Ikon Pass permite concentrar diferentes viagens em um único produto — do Chile à América do Norte, passando por Europa e Japão. Em Valle Nevado, único resort da América do Sul presente no programa, o passe pode ser usado na temporada chilena e ainda abrir caminho para uma próxima viagem de neve no Hemisfério Norte, com acesso a destinos emblemáticos como Deer Valley, Aspen Snowmass, Jackson Hole e muitos outros.
GRANDVALIRA
A DESCOBERTA DA NEVE ESPANHOLA PELOS BRASILEIROS
Andorra transmite algo que poucos destinos alpinos conseguem: a sensação de pertencer a um mundo à parte, suspenso entre França e Espanha, aonde a neve chega generosa e o ritmo é inteiramente seu. Com 215 quilômetros de pistas, Grandvalira é o maior resort dos Pireneus, e começa a entrar no radar do viajante brasileiro que descobre a neve europeia, principalmente pela facilidade de acesso a partir de Barcelona.
Para esta temporada, o resort estreia a estrutura multifuncional de Pas de la Casa — 3,2 mil metros quadrados de escola de esqui, locação de equipamentos e bilheteria —, fruto de um investimento de €39 milhões iniciado na temporada anterior. O sistema de produção de neve artificial cobre 126 quilômetros de pistas, blindando-as contra as variações climáticas. O perfil das pistas é democrático: 16% para iniciantes, 38% são intermediárias, 32% para práticas avançadas e 14% destinadas a experts, o que garante que toda a família encontre sua descida perfeita. Já a etapa da Copa do Mundo FIS, disputada anualmente na pista Àliga, bate à porta de Grandvalira como chancela máxima de qualidade técnica.
LEVI
NA LAPÔNIA FINLANDESA, ONDE O SKI ENCONTRA A AURORA BOREAL
A 170 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico, com acesso a partir de Helsinque, Levi guarda um segredo que os amantes de neve mais aventureiros já descobriram: nenhum destino de esqui no mundo combina tão bem a montanha com o misticismo do Grand Nord. O maior resort da Finlândia oferece 43 pistas — suaves o suficiente para iniciantes, variadas o bastante para intermediários —, mas o que realmente seduz em Levi é o que acontece fora dos declives. Experiências como dormir num iglu de vidro com vista para as auroras, partir ao amanhecer num trenó de huskies e voltar ao final do dia para esquiar fazem do destino não apenas um resort de esqui no inverno como também quase um estado de espírito ártico.
A temporada começa em outubro e garante uma das janelas mais longas do Hemisfério Norte, com neve confiável até maio. E ainda dá ao visitante a possibilidade de presenciar um dos fenômenos mais extraordinários da natureza: a aurora boreal. É daqueles destinos para quem busca uma viagem em que o esqui é apenas o início da jornada.
COURCHEVEL
A ETERNIDADE GLAMOUROSA DOS ALPES FRANCESES, REINVENTADA
Desde que Brigitte Bardot transformou Courchevel em endereço de inverno do jet set mundial, nos anos 1960, o resort francês nunca perdeu o cetro do glamour alpino. Situado no coração de Trois Vallées, a maior área esquiável conectada do mundo, com 600 quilômetros de pistas, o destino combina terreno tecnicamente impecável com um nível de sofisticação fora das pistas que poucos lugares no planeta conseguem replicar. Depois das emoções vividas na neve, Courchevel revela sua segunda natureza: um palco gastronômico e social onde o prazer da montanha se prolonga naturalmente pela noite.
É no après-ski e à mesa que Courchevel verdadeiramente se distingue. A estação concentra mais estrelas Michelin por quilômetro quadrado do que qualquer outro resort do mundo — Le Chabichou, Le 1947, no hotel Cheval Blanc, e Le Kintessence figuram entre os restaurantes mais celebrados das altitudes. O Bar des Neiges e o Saulire são os epicentros do après-ski mais animado dos Alpes franceses, onde o champanhe corre enquanto os esquis ainda secam na porta. Para a temporada 2026–2027, a cena hoteleira ganha novo brilho com o Rosewood Courchevel Le Jardin Alpin, inaugurado em dezembro de 2025, que se junta ao Les Airelles e ao Cheval Blanc na constelação de endereços mais exclusivos da Rue du Jardin Alpin.
CORTINA D’AMPEZZO
A RAINHA DAS DOLOMITAS VIVE SEU RENASCIMENTO
Houve um tempo em que Cortina d’Ampezzo era apenas a mais bela estação de esqui da Itália. Depois da Olimpíada de Milão-Cortina 2026, ela se tornou outra coisa: um símbolo. Bilhões de euros foram investidos em infraestrutura, novos teleféricos, renovação do centro histórico e construção do moderno Sliding Centre — e tudo isso chegou a tempo de ser visto pelo mundo inteiro. Para a temporada 2026–2027, parte da infraestrutura olímpica estará disponível aos visitantes na sua melhor forma, sem as restrições e multidões dos Jogos.
O verdadeiro trunfo de Cortina, além das 83 pistas e da neve artificial garantida em 95% das descidas, é a sua vocação para o esqui de stylo — aquele praticado mais com elegância do que com velocidade, em meio a um cenário que parece pintado. O Corso Italia, a rua de compras da vila, rivaliza com qualquer avenida europeia. E a possibilidade de combinar a passagem pela “Rainha das Dolomitas” com visitas a Veneza, Milão ou Florença transforma o roteiro em uma experiência italiana completa: do gelo aos canais, das piste à moda, dos rifugi às pizzerie di borgata.
ST. ANTON
O BERÇO DO SKI ALPINO NA ÁUSTRIA, VIVO COMO NUNCA
St. Anton am Arlberg não é apenas o maior resort conectado da Áustria — é o lugar onde o esqui alpino moderno foi inventado. No início do século 20, Hannes Schneider criou a técnica que conquistou o mundo, e algo da energia desse pioneirismo ainda pulsa nas encostas. Com 300 quilômetros de pistas, 200 quilômetros de terreno off-piste e 85 elevadores modernos, o Arlberg oferece uma das experiências mais completas e exigentes dos Alpes, com a lendária Valluga no topo — um desafio reservado aos experts que não temem o vazio.
A demanda crescente nas últimas duas temporadas confirma o que os entendidos já sabem: St. Anton está na crista da onda. A hotelaria de qualidade assegura o conforto para acompanhar a intensidade das descidas. O traslado de apenas uma hora a partir de Innsbruck, com excelentes conexões ferroviárias e aéreas, facilita o acesso. Para grupos que buscam a adrenalina combinada com autenticidade tirolesa na temporada 2026–2027, St. Anton é a aposta mais segura — e mais emocionante — dos Alpes.
(Texto Alexandre Eça)



























