Quando o “continente mãe” acenar para você, aceite imediatamente o convite e embarque rumo ao inusitado. A África é rica em destinos vibrantes e cheios de personalidade – como Tanzânia, Quênia, Botsuana e Zimbábue –, lodges e camps sofisticados, cercados por uma fauna capaz de garantir os game drives mais espetaculares do mundo para contemplar os big five (leão, leopardo, rinoceronte, elefante e búfalo).

Um dos maiores espetáculos da vida selvagem na Terra tem como palco principal o Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia. Na língua maasai, falada pelo grupo étnico seminômade mais adornado da África Oriental, que habita entre o norte da Tanzânia e o sul do Quênia, Serengeti significa “planície infinita”. E infinita também é a quantidade de gnus e zebras, além de tantos outros animais que desfilam por esse santuário durante a Grande Migração que se estende até o Quênia. Eles seguem ano após ano, instintivamente por uma rota circular de centenas de quilômetros em busca de água e alimento.

Do alto, é possível ter uma nova perspectiva da Grande Migração iStock/ AsodaPhotography

Para se ter uma ideia, a manada de gnus ultrapassa a marca de 1 milhão de animais. É tão impressionante que já no trajeto de menos de uma hora do aeroporto até o hotel – numa Toyota 4×4 – fui brindada com um encontro com centenas de gnus, zebras, impalas, girafas, elefantes, hipopótamos, hienas, e uma família de “pumbas”. Se precisar de tradução para saber que bichinho é esse, pergunte a alguma criança fã de O Rei Leão e ela abrirá um sorriso de alegria ao revelar a identidade desse personagem tão carismático da Disney. Afinal, um safári africano tem o poder de trazer a magia de um desenho animado para a vida real, seja por terra, seja pelo ar –já que, além da tradicional versão do avistamento em carro fechado (ideal para crianças a partir de 2 anos), vale fazer um passeio de balão para ver o dia amanhecer em tons alaranjados, observar a vastidão da savana por outro ângulo e se emocionar com a paisagem pontilhada de animais.

É uma aventura que costuma se encerrar com um belo café da manhã servido à sombra de um baobá. São poucos os lugares do mundo com tanta vida selvagem. Outras estrelas da Tanzânia são a Cratera Ngorongoro, apelidada de Arca de Noé, o monte Kilimanjaro, o mais da África, e o azul incomparável do mar em Zanzibar. No Quênia, considere conhecer o Parque Nacional de Amboseli, que que ostenta belíssimas vistas tanto do Monte Meru como do Kilimanjaro, e a lendária Reserva Nacional Maasai Mara, para encontrar tribos Maasai e fazer safáris inacreditáveis no período da Grande Migração.

Crianças que recebem os visitantes com sorrisos e olhares de curiosidade Claudia Liechavicius

SHOW DE DIVERSIDADE

Surpreendente também é Botsuana. O país abriga a maior concentração de elefantes do mundo – mais de 130 mil animais – em uma área comparável à do estado de Minas Gerais, além de leões, leopardos, búfalos e uma quantidade sem fim de galinhas-d’angola e pássaros belíssimos. No Delta do Okavango a grande aventura fica por conta do safári feito em mokoro, uma canoa estreita usada tradicionalmente nas águas rasas das planícies alagadas da região, empurrada com uma vara. Nessa versão, o encontro com a vida selvagem ganha doses extras de emoção. Já no Parque Nacional de Chobe os safáris são muito dinâmicos e escancaram a vida na selva como ela realmente é. Por serem feitos em carros 4×4 abertos, a adrenalina é ainda maior. Fui surpreendida por um grupo de leões caçando um búfalo e me senti inserida na ação. No dia seguinte, foi a vez das hienas se alimentarem do que havia restado. É como entrar num documentário da National Geographic.

Em Botsuana, os safáris em mokoros são tradicionais nas áreas alagadas do Delta do Okavango

Vista aérea do Okavango Unsplash/ Wynand Uys

Como se não bastasse, do conforto da minha tenda meus olhos escaneavam diariamente manadas com mais de cem elefantes. Aliás, conforto e sofisticação saltam aos olhos nas tantas hospedagens luxuosas e sustentáveis da África, que praticam a reciclagem, utilizam mão de obra local e reinvestem parte do lucro em projetos socioambientais importantes. É preciso entender que o turismo de qualidade tem o poder de beneficiar um destino.

Singita Grumeti Reserve
iSotck/ thejack

Infelizmente, durante a pandemia, a população de rinocerontes foi reduzida em Botsuana devido à caça ilegal por haver menos gente circulando nos parques nacionais e menor patrulhamento.

ENCONTRO EMOCIONANTE

Desembarquei no Zimbábue, país que ostenta uma das mais impressionantes quedas d’água do mundo: Victoria Falls. A catarata de 108 metros de altura, listada como Maravilha Natural do Mundo Moderno, fica no Rio Zambeze, lar de uma população enorme de hipopótamos, e define a fronteira entre Zimbábue e Zâmbia. Apenas uma ponte conecta os dois países. Dela, os mais corajosos se jogam no bungee jump ou encaram um rafting nada básico no fundo do cânion. Os esportes radicais são um dos atrativos do Zimbábue. No entanto, atravessei a ponte para encarar outra atividade radical: um walking safari no Parque Nacional Mosi-Oa-Tunya, em busca dos rinocerontes-brancos. Fui acompanhada por dois rangers que conheciam detalhadamente os hábitos dos animais.

Comunicavam-se com eles emitindo sons e se diziam parte de uma grande família. Aprendi que os rinocerontes-brancos, apesar de serem imensos e marcados por ares pré-históricos, são mais pacíficos do que imaginamos. Já os hipopótamos, que avistei de muito perto em safáris de lancha e que me acordavam todos os dias no Parque Nacional do Zambeze com sonoros grunhidos, estão entre os animais mais temidos da savana.

Engana-se quem pensa que viajar por diversos países da África significa ver mais do mesmo. Longe disso! Cada destino tem suas peculiaridades e cada experiência guarda em si um mundo a ser descoberto.

Colaboraram Brayan Dutra, Leonardo Tura, Mariana Ninno, Renata Yano, Tatiane Souza

TERESA PEREZ INDICA

Reserve com a Teresa Perez

Onde Ficar

Duba Explorers Camp, Botsuana:

O Duba Explorers Camp fica numa concessão privada da Reserva Kwedi e promove a inclusão da comunidade local. Em parceria com os habitantes locais, o lodge tem preocupação total com a conservação do ambiente e a valorização da cultura regional. Além de proporcionar vivências exclusivas durante as expedições, as tendas que acomodam os hóspedes são especiais: instaladas em deques suspensos, têm confortos modernos aliados ao charme rústico da decoração. A posição de cada tenda garante vistas imbatíveis das planícies alagadas do Delta do Okavango.

andBeyond Bateleur Camp, Quênia

Localizado aos pés das escarpas Oloololo, na Reserva Nacional Masai Mara, esse clássico e elegante camp tem extensa concentração de vida selvagem em seus arredores, inclusive durante a Grande Migração. Sua decoração reflete o charme dos anos 1920 e 1930, fazendo jus ao fato de dividir espaço com a locação das cenas finais do filme Entre Dois Amores (1985). Ali ganham destaque também os safáris noturnos, as visitas a comunidades Masais, os cafés da manhã em plena savana e os inesquecíveis sundowners à beira do Vale do Rift.

Lodges Singita, Tanzânia

Situados numa área estratégica do Parque Serengeti, os lodges Singita propiciam a seus visitantes apreciar abundante vida selvagem sem sair de suas suítes. As janelas que vão do chão ao teto dão vista privilegiada para a savana, combinando elegância e serviços personalizados com a típica rusticidade africana.

Ruckomechi Camp, Zimbábue

Está instalado no centro do Vale Zambeze, lugar que é rota de passagem dos big five e de outros animais selvagens que buscam essas paragens durante o longo e quente verão africano. São muitos os atrativos dessa região repleta de sons e cores – um deles é o Rio Zambeze, que corre tranquilamente e, em seu caminho rumo ao leste, vai formando lagoas e piscinas

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